Livro: A Promessa da Rosa - Babi A. Sette

quinta-feira, novembro 17, 2016

A Promessa da RosaSéculo XIX: Status, vestidos pomposos, carruagens, bailes… Kathelyn Stanwell, a irresistível filha de um conde, seria a debutante perfeita, exceto pelo fato de que ela detesta a nobreza; é corajosa, idealista e geniosa. Nutre o sonho de ser livre para escolher o próprio destino, dentre eles inclui o de não casar-se cedo. No entanto, em um baile de máscaras, um homem intrigante entra em cena… Arthur Harold é bonito, rico e obstinado. Supondo, por sua aparência, que ele não pertence ao seu mundo, à impulsiva Kathelyn o convida a entrar no jardim – passeio proibido para jovens damas. Nunca mais se veriam, ela estava segura disso. Entretanto, ele é: o nono duque de Belmont, alguém bem diferente do homem que idealizava, só que, de um instante a outro, o que parecia a aventura de uma noite, se transforma em uma paixão sem limites. Porém, a traição causada pela inveja e uma sucessão de mal-entendidos dão origem ao ciúme e muitas reviravoltas. Kathelyn será desafiada, não mais pelas regras sociais ou pelo direito de trilhar o próprio caminho, e sim, pela a única coisa capaz de vencer até mesmo a sua força de vontade e enorme teimosia: o seu coração.
A Promessa da Rosa é um romance de época nacional, que nos leva até 1840, quando a jovem Kathelyn Stanwell está lidando com sua estreia nos bailes da realeza londrina, apesar de acreditar que se casará com seu futuro pretendente por amor e não pelo fato do casamento ser apenas um negócio, como de costume na época. Até que num baile de máscaras, ela conhece Arthur Harold, que dias depois ela descobre ser o nono duque de Belmont. Ele, fica curioso como a jovem se diferencia das outras moças da época, pela maneira como se comporta e pensa. Kathe é tão apaixonada por antiguidades quanto ele e tem resposta para tudo. Porém, sua sabedoria não permite encarar a maldade que há ao redor, o que acaba ocasionando vários atritos entre os dois.

Kathelyn é a filha mais velha do Conde de Clifford e vive numa bela mansão em Hampstead Heath, com os pais e a irmã mais nova Lilian. Passa boa parte tomando lições com a preceptora Elsa Taylor, cantando, lendo ou bordando. Não se considera uma filha muito obediente, suas ações sempre a metem em encrenca e acaba de castigo. Ao conhecer Arthur e despertar seu interesse, ele tenta a todo custo domá-la, já que seu gênio não é um dos melhores. O duque é arrogante e possessivo. Está acostumado a ter todos os seus desejos concedidos e ao saber que Kathelyn abomina a forma como os casamentos são armados, decide selar um contrato, em segredo, com o pai da moça e aos poucos conquistá-la.

"Tudo no mundo tremeu.
Uma voz conhecida, um aroma conhecido – rosas.
Olhou-a: lábios cheios, cabelos dourados, busto, ombros, fascinante.
Era a dama que o largou queimando no jardim.
Não raciocinou mais, estava inundado de raiva, de desejo, de satisfação por reencontrá-la.
Foi impossível lembrar-se de Antonella. Fixou-se na figura ao seu lado, como se admirasse uma valiosa obra de arte."

O romance entre os dois é cheio de idas e vindas. A falta de comunicação é o que sempre destrói qualquer chance deles ficarem juntos e a inveja alheia, acaba destruindo o compromisso do casal, deixando Kathelyn desolada, já que havia se apaixonado por Arthur, e o rompimento molda a personalidade da protagonista completamente, por ser obrigada a crescer e amadurecer, em vista que muitos não aceitaram o término e sua reputação acabara manchada. Arthur, nem deu uma chance à ela para se explicar e sai de Londres, como se a jovem nunca existira. Os anos passam, e Kathelyn leva uma vida independente cantando em Paris, rodeada pelo luxo e arrasta fãs por onde passa, por sua beleza e encanto. Claro que ela e Arthur se reencontram e é claro, ele não gosta nada de presenciar sua amada sendo desejada por outros.

Os pensamentos de Arthur sobre a nova Kathelyn, não são os melhores. Sua mente está dominada pelo ódio brotado das fofocas que a envolveram anos atrás e como atualmente, ela exala liberdade, não é muito difícil deduzir outros pensamentos maldosos sobre a reputação dela. Mas, ele ainda é apaixonado por Kathe e se recusa a aceitar. Por outro lado, Kathelyn não o deseja em sua vida novamente, pois ainda guarda mágoas pelo duque tê-la abandonado, sem a menos uma explicação - eu disse que a falta de comunicação, entre eles, é péssima - e dessa vez, em Paris, talvez resolvam os mal entendidos que com o passar dos anos, transformaram boa parte dos sentimentos lindos que floresciam um no outro, em rancor.

"Kathelyn achava incrível a maneira que as pessoas funcionavam.
Conte uma boa história, atraente e singular. Dê a elas algo o que falar e um retrato onde apoiar tal história. Pronto. Você tem uma imagem construída. Essa imagem se é mais interessante que a real, oblitera a verdade e ganha vida através dos que acreditam nela.
Kathelyn era a prova viva disso."

Olha, mais uma bela prova que se vivi na época desses romances eu arrumei muita treta, MAS MUITA TRETA. Meu pai Rei de Alguma Coisa - claro, como uma boa leonina, deduzo que meu pai era rei, né? - deveria super me deixar de castigo e me dar umas palmadas, pela boca ousada e prováveis murros que eu daria nesses pretendentes. Primeiro vamos ao Duque de Belmont, ou simplesmente Arthur, e sua arrogância e possessividade. Briguei, mentalmente, com ele por quase toda leitura, que me senti como se tivesse o namorado por anos. Um personagem com boa estima, inteligente, mas que é fácil de manipular. Sério! O cara acredita em qualquer coisa que afete o ego dele, sem provas, e nem quer saber de conversa. Ele sempre pensa o pior das pessoas e não tem nenhum amigo. O que ocasiona uma difícil interação entre ele e o leitor, porque muita vezes ele acaba se saindo como vilão. Mas, sim, a narrativa expõe belos motivos por ele agir dessa maneira e suas decisões para ter atenção de Kathe, acaba por suavizar o lado negro do personagem. Outro que respondi, de maneira rude, durante a leitura foi o pai trouxa da Kathelyn. Contudo, vou abster meus comentários, pois resultariam em spoilers.

Kathelyn Stanwell é uma moça de época maravilhosa. Desde as primeiras páginas criei certa simpatia por ela e sua audácia. Amei, sua personalidade e vibrei ao saber que tinha gostos e sonhos além de, só um compromisso para alegrar a família. O que me incomoda na maioria desses romances de época, são as protagonistas não terem desejos além do romance/casamento/bailes. Gosto quando as autoras elevam os pensamentos delas, como se fossem de uma época avançada, até porque o proibido é bom, de certa maneira e faz o leitor compreender mais ainda, certas dificuldades da época. Kathe batia de frente com o duque, mesmo com emocional a pestanejar. Ela não o deixa sem respostas e na segunda parte do romance, ela ainda está mais decidida, porém há um pouco da Kathy de dezessete anos nela. Na primeira parte da história, ela está com dezessete anos, fiquei chocada quando descobri porque achei que estaria na faixa dos vinte.

O romance de Babi A. Sette é delicioso e ainda temos uma bela pitada de erotismo. A cada encontro do casal, a tensão entre eles predomina e momentos quentes, acabam sendo inevitáveis. A escrita da autora é deliciosamente viciante, fazendo as páginas voarem sem a gente sentir e em alguns momentos, divertida. A narrativa de Babi é recheada de personagens, sua maioria importantes, mas fiquei curiosa para saber o que aconteceu com a falsiane da história, sinceramente, esperava um acerto de contas dela com Kathe. Era um personagem próximo da protagonista, em que ela confiava.

E tenho que ressaltar que o epílogo me deixou surpresa e tocada. Super fofo! Aliás, há várias dicas em A Promessa da Rosa, de quem serão as histórias dos próximos livros. O segundo vocês já devem saber que é sobre a irmã, Lilian. Eu gostaria que tivesse um sobre a preceptora Elsa. Criei um carinho por ela durante a leitura, queria que ela fosse minha amiga e conselheira.

"Ele dizia que a amava e que sempre a amaria e ela retribuía as juras, como se os votos fossem a garantia da felicidade.
E não eram?
Ela tinha quase certeza de que sim."

A edição está ótima e a capa, linda! Há alguns errinhos, mas nada gritante que atrapalhe o rendimento da leitura. Já estou lendo o segundo livro O Despertar do Lírio, que como sinalizei acima, foca na irmã de Kathe, e logo resenho.


I Dare You - Desafio Literário
Essa leitura fez parte do Desafio I Dare You 2016
Desafio de Agosto: Livro Romance

*As avaliações com desenho da pimenta indicam que há cenas eróticas no livro.

Autora: Babi A. Sette
Origem: Literatura Brasileira
Editora: Novo Século
ISBN: 9788542805550
Publicação: 2015
Páginas: 432
Série: Flores da Temporada:
#1: A Promessa da Rosa
#2: O Despertar do Lírio
#3: Não Me Esqueças
O Que Tem?: Romance de Época, Drama, Londres/Paris

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15 COMENTÁRIOS

  1. Oii Nana!
    Quanto tempo, sei que estou sumidinha daqui e peço desculpas, mas os três últimos meses do ano é super corrido para mim no trabalho e eu chego em casa exausta.
    Sobre esse livro eu sempre tive mta mta vontade de ler, principalmente pelo tanto de burburinhos que ele gerou. Ele está na minha lista a tempo, mas vc sabe como é a vida de leitor!
    Ótima resenha!

    Beijinhos!
    Amanhecer Literário

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  2. Amo essas histórias de época modernas HSUAHSU sério. adoro essas personagens destemidas <3
    Amei a resenha.

    beeijão :_)
    http://www.carolhermanas.com.br/

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  3. Oi Nana, sabe que faz muito tempo que quero ler algo da autora, geralmente o pessoal que conhece gosta bastante dos livros da Babi. Como sou apaixonada por históricos, acho que vou gostar desse também.

    Beeijos, Paola
    uma-leitora.blogspot.com.br

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  4. Oi Nana! A promessa da rosa me fez sentir raiva, ódio, alegria, tristeza, felicidade, foi um mistura de sentimentos. Tive vontade de dar uns socos no Arthur várias vezes rsrsrsrsrs mas foi um romance incrível, fiquei apaixonada pela escrita da Babi!! Não vejo a hora de ler o segundo!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Olá, Nana.
    Ultimamente tenho lido mais romances de época e esse parece ótimo.
    Ele parece ser o tipo de livro que te desperta inúmeros sentimentos, do jeito que eu gosto.
    Beijo

    Te Conto Poesia ♥

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  6. Sério, eu tinha certeza que eu já tinha comentado na resenha desse livro. Agora eu não sei, se foi em outro blog ou se eu comentei aqui e esqueci de publicar. Hahahaha Mas então, vamos lá: A capa desse livro é muuuuuito linda e eu amei o enredo, ele é muito interessante. Estou com vontade de ler essa história sim.
    Mil Beijos!
    https://pensamentosdeumageminiana.blogspot.com.br

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  7. Eu li esses dias Senhorita Aurora da Babi e simplesmente amei! Aí agora você vem e me conta que ela também escreve romances de época? Socorr! Adoreei a premissa da obra, tem todo o jeito de ser aquele tipo de romance de época que te envolve do início ao fim ♥

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  8. Oi Nana, tudo bem?
    Estou com os dois livros da série aqui, inclusive autografados, mas ainda não li. Estou doida para iniciar, ainda mais depois de ler uma resenha deliciosa como a sua. Espero que a leitura possa fluir para mim, do mesmo jeito que foi pra você. A Babi escreve bem, e suas palavras transbordam sentimentos, por isso já sei que vou gostar destes também.
    Bjus sua linda!
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  9. Muito chato esses homens que dizem amar uma mulher,mas vai pela cabeça de outros quando fazem uma fofoca. Adorei o fato dela ser independente e lutar pelo o que quer. Apesar de uns contras, vou comprar o livro. Amo romances de época. Beijos! O blog esta lindo <3

    Click Literário

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  10. Gostei da resenha Nana. Amo romances de época e aprecio protagonistas fortes e de fibra. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  11. Fiquei imaginando as cenas dessa história... o baile, a realeza e tudo mais. Parece legal ;)

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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  12. Oi Nana,
    Meu primeiro contato com a Babi não foi muito bom. Mas esses romances tem chamado minha atenção.
    As capas são maravilhosas e sou apaixonada pelo gênero, preciso dar uma segunda chance a autora.
    E aí vamos comentar sobre, que tal?
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  13. Olá, Nana.
    Eu tive uma relação de amor e ódio com esse livro. Quando pego um romance de época para ler espero me apaixonar pelo mocinho e eu odiei esse. Mas a escrita da autora é tão gostosa que a gente lê tudo rapidinho. O segundo livro eu gostei bem mais.

    Blog Prefácio

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  14. Oi, Nana! Tudo bem? Eu infelizmente não curto muito livros com essa pegada! :/ Mas fico feliz em saber que você curtiu a obra. Adorei a resenha! <3

    Abraço

    https://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  15. Eu sou maluca por romances de época. Basicamente é o único tipo de romance que me chama a atenção. Devo ter vivido em séculos passados xD
    E com certeza eu seria a ovelha negra da família, não seguindo o padrão das mulheres da nobreza, como a Kathelyn xD
    O único problema de ter uma alma selvagem, é que realmente não sabemos como e quando seremos laçadas, e quando isso acontece, é um trem desenfreado.
    Me interessei muitooooo por esse livro.
    Ótima resenha!
    A Bela, não a Fera | Youtube A Bela, não a Fera | Fã Page no Facebook

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